Verri diz que Lula sofre chantagem para desistir da disputa presidencial

O deputado federal Enio Verri (PT-PR) denuncia que Lula está sequestrado e que sofre chantagem para abrir mão da candidatura à Presidência da República.

Brasil sob uma realidade fantástica

Ennio Verri*

O maior líder brasileiro está sequestrado pelo Estado, sob intenso ataque de chantagens para abrir mão da sua candidatura à Presidência da República, em 2018. Enquanto isso, o Brasil segue em ritmo acelerado rumo ao atraso, pela Ponte do Futuro do golpista decorativo, Temer. Lula está preso há mais de 80 dias, sem cometimento de crime. Desde então, ele já ouviu de tudo: desde a liberdade pela candidatura, tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar, diminuição da pena estudada pelo TRF-4, em quatro anos e, mais recentemente um ministro do STF afirmou que Lula não sai da cadeia antes de 15 de agosto, último dia para registrar a candidatura.

A chicana contra Lula é apenas um dos efeitos do golpe de 2016. A supressão de direitos aos pobres segue no mesmo ritmo em que Temer protege a elite. Ele retira de programas que atendem a população pobre e concede isenções fiscais a empresas. Com uma desculpa inadmissível a um país que se preze, o Ministério da Saúde alegou falta de tempo hábil para cadastrar Unidades de Saúde da Família. O descredenciamento de equipes de Saúde da Família prejudicará mais de 15 milhões de famílias. Ao mesmo tempo, o ministério de notáveis predadores tirou o ICMS da base de cálculo de tributação federal do empresariado, diminuindo a arrecadação em R$ 9,38 bilhões, em 2018.

Durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) havia investimento e não desinvestimento. O Brasil chegou entre as 10 economias do mundo não foi apenas pelo seu crescimento econômico, mas também pelo seu desenvolvimento social, alcançado com programas como o Mais Médicos, atacado pelas três maiores associações médicas do Brasil, mas aplaudido pelos países avançados em políticas de Estado para a Saúde, como Cuba e Canadá. O Paraná teve 76% dos seus municípios atendidos pelo programa. Em todo o País, quatro mil municípios e 50 milhões de brasileiros passaram a ter atendimento médico diário.

Impor uma data para a liberdade de Lula, fixando-a no último dia para se registrar candidatura, é uma confissão de participação no golpe de 2016 e de pânico ao ex-presidente. O ex-presidente enfrenta um processo kafkiano, no qual as provas apresentadas por ele são solenemente ignoradas, ou desfiguradas por um impenetrável hermetismo jurídico digno dos mais vertiginosos contos do Realismo Fantástico. Desta vez, a defesa do Ex-presidente Lula deve apresentar à 13ª Vara de Curitiba o resultado de uma perícia no sistema da Odebrecht, o MyWebDay, segundo a qual não há qualquer referência ao nome de Lula em seus arquivos que controlam pagamento de propinas.

Lula enfrenta um processo surreal, para não dizer fascista, enquanto Temer e seu bando dilapidam o País. Submetem a soberania nacional aos interesses do mercado financeiro internacional e condenam a população à condição de escrava produtora de commodities a serem industrializadas no exterior, onde são criados os empregos mais complexos e mais bem remunerados. Enquanto o Judiciário e os órgãos de fiscalização e controle agem para a supressão da democracia e perseguem um líder popular, preciosos recursos energéticos e empresas estratégicas são fatiados e distribuídos por qualquer dinheiro.

É importante notar que se trata da imposição do programa de governo derrotado, em 2014, por meio de um golpe, em 2016, sobre o programa eleito por mais de 50% dos brasileiros. O programa do PT criou cerca de 20 milhões de empregos formais, com as mesmas leis trabalhistas de há 75 anos, e reajustou o salário mínimo sempre acima da inflação. O programa do golpe aprovou uma reforma trabalhista que precarizou as condições de trabalho e aumentou o desemprego formal. Com um discurso modernizante contra uma suposta rigidez legal e excesso de encargos trabalhistas, o interesse dos patrões falou mais alto em um Congresso formado eminentemente de parlamentares empresários ou a serviço do mercado.

Seis meses depois da desfiguração das leis trabalhistas, o resultado é desastroso para a classe trabalhadora. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), de 29/06, indicam que o emprego com carteira assinada caiu 1,1%, em relação ao primeiro trimestre e 1,5% em relação ao 2º trimestre de 2017. Ou seja, 351 mil e 483 mil pessoas, respectivamente, perderam seus direitos trabalhistas. Mais de 300 mil trabalhadores passaram a ser contratados sem registro em carteira, entre março a maio. Um aumento de 2,9% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O espaço é pequeno para descrever e comparar os modelos de programa em disputa. De um lado, o do PT, que mais criou condições para o trabalho para os órgãos de fiscalização e controle, incluiu 1,3 milhão de estudantes pobres nas universidades, investiu e defendeu a Petrobras e o pré-sal, passou o Brasil da 16ª para a 6ª posição entre as economias mundiais. Do outro, um programa imposto por um golpe de Estado, com o qual o Brasil está sendo entregue a interesses internacionais e a população condenada, novamente, à miserabilidade, condição da qual havia saído, em 2012, quando o Brasil foi retirado do Mapa da Fome, monitorado pela ONU. A que País temos o direito?