Universidade de Bradford ganha curso sobre o golpe no Brasil

A decisão do ministro da Educação do governo golpista, Mendonça Filho (DEM), de tentar censurar o curso sobre o golpe e seus efeitos na UNB, acabou chamando atenção de professores da Universidade de Bradford na Grã Bretanha. A palestra “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” será ministrado pela professora Fiona Macaulay no dia 16 de março.

Por meio de seu perfil nas redes sociais, Fiona afirmou que a iniciativa é também uma forma de se solidarizar com o professor Luis Felipe Miguel, da UNB, denunciado pelo ministro golpista por suposto “ato de improbidade” ao criar o curso.

“Algumas pessoas pensam que a remoção da Presidente Rousseff foi um golpe institucional, outros acreditam que foi devido ao processo, dependendo da leitura de todas as circunstâncias, atores, instituições e motivações envolvidas. Mas mesmo que as pessoas não concordem com isso, todos concordamos que a liberdade acadêmica para explorar diferentes interpretações deve ser absolutamente defendida”, afirmou Fiona Macaulay.
Cursos pelo Brasil

Só no Brasil são nove universidades oferecendo cursos que vão desde a gênese do golpe até seus resultados mais nefastos, como a retirada de direitos dos trabalhadores e a ameaça à soberania nacional.

Além da UnB, as universidades federais da Bahia (UFBA) e do Amazonas (UFAM), a USP, a Unicamp e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) também irão ofertar a disciplina aos alunos de seus cursos de Ciência Política com a perspectiva de oferecer um panorama completo deste período tão conturbado da história recente do país.

Na UFRN a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” será vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e estará aberta a quem estiver interessado na modalidade Extensão.

Já o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) irá oferecer curso de extensão chamado “O golpe de 2016 e a nova onda conservadora no Brasil” sob diferentes temáticas. O curso será oferecido aos alunos de graduação e pós-graduação da universidade interessados no debate.

Entre os temas que serão debatidos pelos docentes estão a democracia, as relações de gênero, o papel da mídia, a ditadura militar, os movimentos sociais e os aspectos legislativos.

Na Unicamp estão previstas aulas como “A fragilidade da democracia brasileira”, “As políticas do governo golpista”, “A nova direita”, “O jogo político do STF e o golpe”, “O ataque à educação” e “As reformas trabalhista e previdenciária”.

Da Redação da Agência PT de Notícias