“Temer é um defunto que custa caro ao país”, diz Verri

Deputado Enio Verri (PT-PR) afirma que o salvamento do defunto Michel Temer (PMDB) está custando muito caro ao Brasil. “O balcão de negócios se colocou em liquidação”, denuncia o parlamentar na véspera do julgamento do peemedebista na Câmara.

O salvamento de um defunto que assombra o Brasil e o ânimo do brasileiro

Enio Verri*

Amanhã, a exemplo do que aconteceu com a primeira, o Plenário da Câmara dos Deputados decidirá pela rejeição da segunda denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o golpista decorativo, Temer. Desta vez, a margem de erro de 3% que ocupa o Palácio do Planalto não terá o mesmo placar elástico de 263 votos a favor. Quando muito, 220 votos, mais que os 172 necessários, livrarão o golpista decorativo de ser investigado por crimes plenos de provas.

A perda de apoio se deve a, entre outras coisas, o imenso peso de apoiar um defunto sem futuro político. Parlamentares que o sustentam sentem em suas bases a dificuldade de defender, perante os eleitores, o posicionamento em favor de um criminoso contra o qual há todo tipo de materialidade de provas, desde delações, passando por registros sonoros e audiovisuais, até malas abarrotadas de dinheiro. Para quem pretende concorrer às eleições de 2018, o golpista decorativo é um péssimo cabo eleitoral.

Refém de apoio parlamentar, Temer terceiriza a conta para os 97% da população que não o querem no comando do País. Devido ao déficit primário de R$ 139 bilhões, ao Brasil foi imposto um regime fiscal de congelamento de investimentos, por 20 anos. O discurso de austeridade ficou para trás com a chegada da primeira denúncia. Ao fim e ao cabo da votação, em agosto, o déficit que a população vai pagar para mantê-lo na Presidência, passou para R$ 159 bilhões.

O balcão de negócios se colocou em liquidação. O notável ministro entreguista da Fazenda, Henrique Meirelles, tinha a expectativa de arrecadar, em 2017, até R$ 13 bilhões, de um montante de R$ 300 bilhões em dívidas de pessoas jurídicas e físicas. Temer enviou ao Congresso Nacional uma Medida Provisória para renegociação dessas dívidas. Depois de muitos debates a oposição foi vencida e a base de apoio ao golpista decorativo aprovou um relatório que concedeu 70% de desconto aos devedores.

Entre deputados e senadores que aprovaram a MP, 337 devem cerca de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. O regime fiscal é aplicado apenas para quem não tem ligação com a camarilha que assalta o País. A determinação de diminuir cargos comissionados serve apenas de poupança para compra de apoio. Aos aliados foram concedidas mais de 500 funções em cargos comissionados, passando de 20 mil vagas para livrar Temer e mais dois comparsas, de serem investigados pelos crimes de organização criminosa e obstrução à Justiça. A PGR acusa o PMDB de ser um quadrilhão.

Para a vitoriosa votação de amanhã, não se sabe ao certo quanto a população brasileira vai pagar, mas a numerosa e escravocrata bancada ruralista já apresentou e está recebendo a fatura. Uma portaria do Ministério do Trabalho remete o País a antes de 1888, ao suprimir qualquer possibilidade de identificação de trabalho escravo. Segundo o MTr, o trabalho escravo só pode ser caracterizado pelo impedimento ou cerceamento de ir e vir do trabalhador.

É um acinte, levando em conta que o Brasil é um País internacionalmente reconhecido por ainda manter trabalho escravo. Mas a fatura vai muito além da possibilidade de se ter alguém para trabalhar de graça. Temer oferece aos ruralistas um refinanciamento de dívidas com o Fundo de Assistência do Trabalhador Rural (Funrural). De novo, a conta é repassada aos contribuintes. Dos R$ 2,2 bilhões para receber, em quatro anos, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 6 bilhões, senão mais. O valor vai além. O desgoverno renuncia a quase R$ 3 bilhões em multas por desatamento na Amazônia.

O jogo está dado e a rejeição à denúncia contra Temer são favas contadas. À população resta ocupar as ruas, desde ontem, ou anteontem. Mas também pode aguardar 2018 e lembrar-se de todos os parlamentares que protegeram um golpista que: asfixia a possibilidade de o Estado investir no seu desenvolvimento; causa desemprego e provoca a maior desregulamentação na legislação trabalhista e obriga que 70% da população, os mais pobres, se aposentem com 70 anos de idade. Vejamos do que é feito o ânimo do brasileiro. Vai reagir e depor essa camarilha, ou vai esperar até as eleições de 2018?

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.