O Beto arrocha o Paraná

Enio Verri

O tratamento dispensado ao estado e à população do Paraná, pelo governador Beto Richa, é humilhante e digno de não ser esquecido pela população, em 2018. A mais recente imposição é a redução, em cerca de 80%, de uma gratificação recebida por professores e educadores sociais que trabalham em penitenciárias e centros sócio-educativos, consideradas atividades de alta periculosidade e insalubridade.

A perversidade do governador contra os servidores públicos se revela ainda mais covarde com o pedido de urgência para a aprovação da medida. O corte foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), sem o devido amplo debate com a categoria afetada. Aliás, autoritarismo é uma marca do governo Richa, haja vista o inominável e inesquecível 29 de abril de 2015.

Segundo o governo, a restrição da gratificação fará uma economia anual de R$ 25 milhões. Tudo em nome de um ajuste fiscal que, a exemplo do que é feito por Temer, quem paga a conta é a classe trabalhadora. Enquanto Richa arrocha os trabalhadores, ele gastou, em 2016, R$ 131 milhões em propaganda do seu governo.

No mesmo projeto, Richa suspende, por três anos, concurso público para bombeiros e soldados da Polícia Militar. Numa só tacada, depaupera o servidor e desmantela o serviço público. Além de cortar os concursos, o governador quer pagar por atividade extrajornada para bombeiros e policiais militares atuarem em seus horários de folga. Para evitar baixas no efetivo, Richa quer aumentar o abono permanência para a PM.

A princípio, pode parecer uma vantagem financeira para os servidores. Mas, além de ser a oficialização do bico, os períodos de folga são programados devido ao elevado nível de estresse provocado pela profissão. Mais tempo trabalhando pode levar ao cometimento de erros cuja primeira e principal vítima é a população, além, é claro, o próprio policial. As demandas da sociedade não param de crescer e a solução apresentada pelo governador é atendê-las exigindo ainda mais da instituição.

Para Beto Richa, há uma satisfação pessoal no arrocho, além do ajuste fiscal de araque. O governador aproveita para combater o que ele considera “demandas infinitas e insaciáveis dos servidores”, classificadas por ele como “privilégios” dos 300 mil funcionários públicos do Paraná, tanto da segurança quanto de outras áreas.

Beto Richa arrocha o Paraná em várias frentes. A desastrosa e autoritária ingerência nas universidades estaduais é digna de um entreguista sabujo terceiro-mundista, que aposta da desconstrução do desenvolvimento educacional, científico e tecnológico de seis universidades estaduais que são referência nacional. As instituições serão asfixiadas e desmanteladas até que fiquem em condições ideais de serem adquiridas pelo mercado privado do ensino superior.

Não há, de fato, qualquer novidade na conduta de Richa. As medidas contra os servidores são consoantes à pusilanimidade do governador em combater a corrupção. Não seria necessário arrochar a população, caso ele tivesse evitado que R$ 20 milhões fossem desviados da construção e reforma de escolas, como denuncia a Operação Quadro Negro, ou que mais de R$ 200 milhões fossem roubados da Receita Estadual, como investigou a Operação Publicano.

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