Lula entrega carta ao deputado alemão Martin Schulz e pede resistência

O Comitê Lula Livre de Berlim entregou nesta quarta-feira (20), no Bundestag (Parlamento alemão), uma carta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao deputado federal do país europeu Martin Schulz, ex-líder do Partido Social-Democrata (SPD). A carta chegou à Alemanha pelas mãos do sociólogo Jessé de Souza, que está na cidade por motivos profissionais.

No documento o ex-presidente denuncia um complô da direita, com apoio de empresários, da imprensa e do Judiciário, para impedir sua candidatura presidencial. “As decisões do Poder Judiciário, particularmente do juiz Sérgio Moro, influíram no resultado eleitoral”, alega.

Lula também criticou o fato de que foi impedido de “gravar uma única fala de apoio ao candidato do PT” (o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad).

“A solidariedade internacional, na qual muitos companheiros de diversas nacionalidades estão empenhados, será de fundamental importância na nossa luta pelo Brasil e de resistência à brutal perseguição judicial de que estou sendo vítima”, acrescentou.

Deputado se pronuncia

Em entrevista ao site DW, o deputado alemão disse que o fato de Sérgio Moro ter aceitado ser ministro da Justiça no governo do presidente Jair Bolsonaro levanta “sérias dúvidas” sobre a independência que o ex-juiz pregava durante a tramitação do processo de Lula.

“O procedimento do juiz Moro deixou transparecer para Bolsonaro que ele seria um bom ministro para o presidente e para seus interesses políticos. Não tenho provas de que Bolsonaro e Moro tinham contato antes, mas acredito que Bolsonaro não chegou à ideia de transformar Moro em ministro da Justiça porque tirou nos dados”, afrimou.

De acordo com o parlamentar, alguns grupos políticos no Brasil tentam passar a impressão de que a corrupção existe somente no PT. “Há no Brasil uma campanha difamatória massiva contra a esquerda”, ressaltou Schulz.

O deputado ainda bateu duro no governo Jair Bolsonaro. “Existe hoje no Brasil um ataque a instituições democráticas. Da própria Presidência parte uma campanha difamatória contra minorias e a oposição. Num sistema democrático, aqueles questão no poder têm que garantir o direito da oposição. No Brasil, percebemos que o governo interpreta seu mandato como um exterminador da oposição. Isso é um sinal de alarme para a democracia”, afirmou.

Por Brasil 247