Intelectuais portugueses lançam manifesto contra Bolsonaro

“Nenhum de nós vai trocar a sua ideologia por outra qualquer, mas temos felizmente em comum a defesa da democracia e do Estado de direito e aí estamos todos juntos”, explica Freitas do Amaral.

Eduardo Lourenço, Freitas do Amaral, Francisco Louçã, Francisco Pinto Balsemão, Pepetela, Ricardo Araújo Pereira, José Pacheco Pereira, Boaventura Sousa Santos, Manuel Alegre, Sérgio Godinho. Estes são apenas alguns nomes de uma vasta lista de intelectuais, escritores, músicos, políticos, académicos, pessoas de vários quadrantes políticos que assinam uma curta e directa mensagem, apelando à derrota do candidato Bolsonaro, nas eleições no Brasil.

No texto, Solidariedade com a democracia e com os democratas do Brasil, pode ler-se que “dentro de dias realiza-se no Brasil a segunda volta das eleições presidenciais, em que se apresenta um candidato, Jair Bolsonaro, que promove o elogio da tortura e da ditadura, que propõe a discriminação das mulheres e o desprezo pelos pobres, representando uma cultura de ódio”.

A declaração acrescenta ainda: “Contra ele, quem assina este apelo manifesta a sua solidariedade com a democracia e com os direitos sociais do povo brasileiro. Temos consciência de que vivemos tempos de ameaças sinistras e riscos de regressões civilizacionais. É por isso mesmo que valorizamos o campo da liberdade e da igualdade e apelamos à derrota de Bolsonaro”.

O fundador do CDS, Freitas do Amaral, diz ao PÚBLICO que não tinha qualquer razão para não assinar: “Estou de acordo com a existência do perigo. Estou de acordo com a necessidade de alertar as pessoas para esse perigo. Estou de acordo com a necessidade de nos colocarmos, todos os democratas, na primeira linha da defesa da democracia e do Estado de direito.” Mais: “Todos estamos sujeitos a esse perigo. Ou alertamos e começamos a fabricar vacinas contra essa epidemia ou podemos cair debaixo dela, sermos esmagados por ela.”

O texto é assinado por personalidades ligadas a movimentos sociais, à academia, à política, rostos do BE, do PCP, do PS, do PSD. Exemplos: Ana Catarina Mendes, Ana Gomes, António Filipe, Carlos Coelho, Francisco Assis, Isabel Moreira, Marisa Matias, Teresa Leal Coelho, João Cravinho, Maria do Rosário Gama, Vasco Lourenço, André Freire, Fernando Rosas, Manuel Carvalho da Silva, Manuel Loff, Ricardo Paes Mamede.

“Continuaremos a ser de quadrantes diferentes, nenhum de nós vai trocar a sua ideologia por outra qualquer, mas temos felizmente em comum a defesa da democracia e do Estado de direito e aí estamos todos juntos”, explica Freitas do Amaral. O professor de Direito deixa ainda o aviso: “São alertas de democratas contra os perigos que a democracia corre, por enquanto, noutros países. Esperemos que não venha a correr no nosso, mas não temos a certeza.”

Para o antigo presidente do CDS, o Brasil, que “tem a maior influência na América Latina, em toda a organização das Nações Unidas, que é muito ouvido, muito seguido”, corre “o risco forte de eleger um Presidente de extrema-direita, tipicamente fascista que, mais tarde ou mais cedo, vai pôr em perigo a democracia, o Estado de direito, e as liberdades fundamentais”.

Enquanto democrata, porém, diz-se também “preocupado” com o que o cenário político nos EUA, na Polónia, na Hungria, na Turquia, na Rússia. “É preciso, por um lado, chamar a atenção para o que se passa no Brasil e, por outro, alertar as pessoas para o que, mais ou menos na mesma altura, se está a passar no resto do mundo, quer na Europa, quer fora da Europa”, afirma, avisando que se está a assistir “à transformação de democracias em regimes neo-autoritários ou mesmo ditaduras”.

Da Cultura, há subscritores como Ana Luísa Amaral, António Pedro Vasconcelos, Lídia Jorge, Maria do Céu Guerra, Pilar del Rio, Richard Zimmler, Valter Hugo Mãe.

Por lula.com.br