Com Temer, pobreza extrema volta a assombrar o Brasil

Um Brasil sem fome, sem pobreza extrema e com oportunidades para as camadas menos favorecidas contra um Brasil sem direitos, sem investimentos em políticas sociais e agora prestes a voltar ao Mapa da Fome da ONU. As disparidades entre o primeiro, sob o comando de Lula e Dilma, e o segundo, sob o governo ilegítimo, ficaram ainda mais agudas com a queda sistemática da qualidade de vida dos brasileiros após o golpe.

Basta comparar: de 2016 para cá, o desgoverno Temer conseguiu a façanha de recolocar a pobreza extrema do país aos mesmos níveis de 12 anos atrás, de acordo com levantamento da ActionAid divulgado pela Agência Pública.

A situação é tão grave que o Brasil deve confirmar o triste retorno ao Mapa da Fome com a divulgação ainda em julho do próximo relatório sobre o tema da instituição. Para se ter ideia, depois do impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, o país viu os gastos públicos serem congelados a partir da aprovação, no final de 2016, da Emenda Constitucional 95 (também chamada de PEC de Morte).

Temer também promoveu o corte de mais de 1 milhão e 500 mil famílias do Programa Bolsa Família, sancionou reforma trabalhista e o tomou medidas que geraram um aumento sistemático nos preços dos alimentos e de produtos de necessidades básicas como o gás de cozinha.

Até mesmo a taxa de mortalidade infantil, algo que vinha em queda ininterrupta desde 2003, voltou a crescer a partir do golpe. De acordo com dados do Observatório da Criança e do Adolescente, o número de mortes entre crianças de um mês a quatro anos aumentou 11% entre 2015 e 2016. Em alguns locais, como Roraima, o número mais do que dobrou. O número de mortes entre um mês de vida e um ano de idade também cresceu.

Isso graças ao corte no Programa Nacional de Alimentação (Pnae), em que o governo federal repassa aos estados recursos para assegurar a alimentação na escola para alunos da educação pública.

“No ano passado, nós fizemos uma advertência à ONU de que, se o Brasil prosseguisse no rumo mais recente que tinha tomado de certo abandono das políticas de proteção social, correria o risco de retornar ao Mapa da Fome do qual saiu em 2014. Publicamos esse relatório em julho de 2017, e um novo relatório vai sair ao final deste mês. O que nós assinalamos naquela primeira advertência vem sendo confirmada agora”, alertou o economista Francisco Menezes, pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e da ActionAid Brasil em entrevista à Agência Pública.

Outros tempos
Quando se coloca em perspectiva os retrocessos recentes é inevitável recordar dos tempos em que Lula deu início a uma verdadeira revolução social no Brasil. De acordo, por exemplo, com o relatório “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo – 2014”, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil reduziu em 82% a população em situação de subalimentação, entre 2002 e 2012.

A partir dos governos do PT, as classes A, B e C aumentaram de 46% em 2003 para 67,8% em 2012, crescimento que corresponde a mais 51,7 milhões de pessoas nas classes. No começo de seu governo, Lula implantou o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família. Ampliado e aprofundado no governo Dilma, o programa chegou a beneficiar 14 milhões de famílias (50 milhões de pessoas).

Pela primeira vez em décadas os mais pobres saíram ganhando na comparação com as classe mais ricas: entre 2003 e 2012, os 10% mais pobres tiveram crescimento acumulado da renda real per capita de 107%, enquanto os mais ricos obtiveram incremento de 37% na renda acumulada, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os ganhos reais foram quase 3 vezes maiores para os brasileiros mais vulneráveis socialmente.

As iniciativas petistas também fizeram do Brasil a única grande economia do mundo a gerar 21 milhões de empregos, garantir ganho real de 70% para o salário mínimo e triplicar os investimentos em educação.

Da Redação da Agência PT de Notícias