Com Bolsonaro, Petrobras deixará de ser incentivadora da cultura

Como se não bastasse ter acabado com o Ministério da Cultura, além de propagar mentiras sobre a Lei Rouanet e atacar todo e qualquer artista que se posicione contra a sua postura autoritária, Jair Bolsonaro agora começa a também influenciar nas decisões de patrocínios da Petrobras, empresa com trajetória consolidada no financiamento de importantes eventos culturais e de projetos que consagrados em áreas como dança, teatro e cinema.

De acordo com reportagem publicada no Estadão, as mudanças na política cultural e de publicidade da estatal atendem às promessas feitas pelo então candidato do PSL durante a campanha de “acabar com os gastos desnecessários” com cultura e a empresa já avalia o rompimento de contratos como o das companhias de teatro Galpão e Poeira, de Minas Gerais, além da Companhia de Dança Deborah Colker, do Festival de Cinema do Rio entre muitos outros projetos importantes no calendário nacional.

A notícia foi tratada com grande preocupação por executivos da área de comunicação, que interpretaram a medida como “interferência política e ideológica”. A queixa também acontece pela falta de critério para definir os novos beneficiados. A petroleira patrocinou mais de 4 mil projetos culturais desde 2003, quando foi criado o Programa Petrobras Cultural, que passou a ser a maior seleção pública do tipo no país.

Ao todo, a Petrobras tem contratos de patrocínio ativos firmados em gestão e governos anteriores que somam R$ 3,5 bilhões, segundo dados divulgados em seu site. Alguns deles se estendem até 2021. Com Parte da verba será destinada para as redes sociais.

A decisão estava encaminhada a ponto de a área técnica começar a ligar para os responsáveis dos projetos com contratos vigentes para avisá-los da reavaliação dos patrocínios. Pelo menos um deles chegou a ser informado de uma possível suspensão do repasse da verba. Mas, preocupada com questionamentos na Justiça, a empresa resolveu reavaliar o tema. O martelo será batido no próximo dia 12, quando acontecerá nova reunião para decidir a dimensão das mudanças.

As sinalizações de mudança surgiram antes mesmo de Bolsonaro tomar posse. Em dezembro, pelo Twitter, já eleito, o presidente antecipou que promoveria um rígido controle das concessões feitas por meio da Lei Rouanet, buscando cercear o fomento à cultura brasileira.

Da Redação da Agência PT de Notícias com informações do Estadão